Quando o preço desaba, o crédito não chega ou uma dificuldade ameaça a próxima safra, corremos atrás de deputados, senadores e governadores. Levamos os problemas, pedimos ajuda, tiramos uma fotografia e voltamos para casa. Às vezes conseguimos alguma coisa. Mas, passado o aperto, o contato esfria e só será retomado na próxima emergência.
Tenho defendido que precisamos mudar essa maneira de trabalhar. Com os novos mandatos nas assembleias legislativas e no Congresso, podemos começar uma relação que dure os quatro anos, com propostas na mesa e acompanhamento a cada seis meses.
Penso nas cadeias que abastecem o prato feito do brasileiro. Arroz, Feijão, proteína animal, farinha de mandioca, milho, hortifruti e quem mais quiser sentar junto. Há dificuldades próprias de cada setor, mas também muita coisa em comum. Crédito, seguro, pesquisa, armazenagem e condições para produzir não interessam a uma cultura só.
O primeiro passo é organizar o que precisamos resolver agora, o que exige alguns anos de trabalho e o que queremos construir para o futuro. Um plano de Estado que continue fazendo sentido quando mudar o governo.
Não adianta, porém, entregar um calhamaço ao deputado e achar que fizemos nossa parte. Precisamos colocar a proposta na mão dele e explicar. Mostrar onde está o problema, quem sofre com ele, quanto custa e qual providência esperamos. Quem conhece o assunto somos nós; cabe a nós torná-lo compreensível.
