A procrastinação afeta até 90% dos estudantes e a ampla maioria dos adultos em diferentes fases da vida, mas continua a ser frequentemente confundida com a preguiça. No entanto, a neurociência aponta que os dois comportamentos possuem origens e impactos psicológicos opostos.
Segundo o psicólogo e doutor em neurociências pela Universidade de São Paulo (USP), Gabriel Tortella, “o preguiçoso não sofre. O procrastinador sofre, e sofre muito. Ele se culpa, se sabota e passa a noite sem dormir pela ansiedade do que acumulou”. A afirmação foi feita durante durante sua participação no podcast Podcólogas.
O mecanismo biológico e o ‘sequestro’ da razão
A neurociência define a procrastinação não como um transtorno psiquiátrico ou falha de caráter, mas como um comportamento voluntário e irracional de adiamento. Do ponto de vista evolutivo, o cérebro humano opera em três camadas que frequentemente entram em conflito.
A primeira estrutura, o cérebro primitivo, atua para economizar energia e garantir a sobrevivência. Se houver privação de sono, alimentação desequilibrada ou exaustão física, essa área paralisa o indivíduo para poupar combustível biológico.
A segunda camada, o sistema límbico, gerencia as emoções e o medo do julgamento. Quando ativado pela insegurança ou pelo perfeccionismo, o sistema emocional bloqueia a ação.
Por último surge o córtex pré-frontal, responsável pela lógica e pelo planejamento.
