Os dois candidatos à Presidência deveriam assumir, antes da eleição, o compromisso de liderar um pacto para consertar o Brasil. Governo, Congresso, sociedade, setores econômicos e imprensa precisam participar desse esforço, cada um com sua responsabilidade.
Na minha avaliação, os primeiros 100 dias do próximo governo devem marcar o início desse trabalho. O país precisa enfrentar as causas dos problemas que atravessam décadas e comprometem sua capacidade de crescer.
O Brasil conhece os sintomas: juros altos, pressão sobre o custo de vida, famílias endividadas, empresas com dificuldade para investir e um governo que precisa se financiar continuamente. Na indústria, no comércio e no campo, produzir exige enfrentar custos e riscos que consomem a renda de quem trabalha.
Há décadas, sucessivos governos anunciam remédios para aliviar esse sofrimento. Renegociam dívidas, criam programas de habitação, ampliam benefícios e oferecem crédito favorecido. Essas medidas podem ajudar muita gente. Mas os problemas reaparecem porque suas causas continuam presentes.
O alívio precisa vir acompanhado de tratamento
Sou favorável a melhorar o Bolsa Família e a renda dos aposentados. Quem precisa de assistência não pode esperar pela recuperação da economia para comer, comprar medicamentos ou pagar suas contas.
O Brasil convive com uma concentração de renda que abre um profundo abismo social. Construir pontes sobre esse abismo precisa ser um dos objetivos centrais do pacto.
