O Brasil, dos que moram aqui, e dos brasileirinhos, aqueles que já nasceram aqui, formam um país es-pe-ta-cu-lar. Conseguimos juntar adversários numa pelada, reconciliar famílias diante de uma churrasqueira e transformar qualquer solenidade numa oportunidade de servir salgadinho. Entretanto, quando o assunto é poder, aparece uma turma querendo organizar até o pensamento alheio. Se deixar, regulamenta o pensamento, fiscaliza a gargalhada e exige reconhecimento de firma para contar piada. Queriam colocar ordem nos fakes da internet. Onde ficaria a graça das nossas fofoqueiras de plantão? Tudo, claro e naturalmente, em defesa dessa tal divina e irresistível democracia.
E agora, Lulu? O Banco Master colocou perguntas constrangedoras na sala de visitas do poder. O presidente Lula defendeu o pedido de vista de Flávio Dino na discussão sobre investigar as relações do Ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. A notícia oferece uma cena tentadora: quando a pergunta aperta, alguém pede mais tempo para olhar. O cidadão também gostaria. Principalmente antes de pagar imposto. O Lourão está de porre, comemorando a volta de 300 milhões de consumidores que saem de Pequim e aterrissam na sua Disneyworld.
Pedido de vista é instrumento legítimo. Mas, no teatrinho brasileiro, o público começa a desconfiar quando o intervalo parece maior, só para a lambida no sorvete. O sujeito comprou ingresso para conhecer o desfecho e recebe uma palestra sobre a importância das cortinas.
