O El Niño exerce uma influência direta sobre a temporada de furacões nos Estados Unidos, mas de forma diferente do que se poderia imaginar. Em vez de intensificar as tempestades no Oceano Atlântico, o fenômeno provoca uma redução na frequência e na intensidade dos furacões nessa região, ao mesmo tempo em que aumenta significativamente a atividade no Oceano Pacífico.
A avaliação é do analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, ao CNN Novo Dia. Ele contextualizou os eventos climáticos recentes, incluindo um ciclone intenso que atingiu os Estados Unidos, deixando quatro mortos, rastros de destruição e cidades sem energia elétrica, e um furacão registrado na costa do Pacífico mexicano.
Como o El Niño afeta os ventos e a formação de furacões
Segundo Pedro Côrtes, a lógica por trás do comportamento do El Niño no Atlântico está relacionada a uma mudança no regime dos ventos equatoriais. “No Atlântico há uma redução do nível de intensidade e também da frequência dos furacões”, explicou.
Essa desorganização dos ventos impede a criação das condições ideais para a formação de ciclones tropicais intensos na região. O ciclone que atingiu os EUA, por exemplo, não chegou a ser classificado como furacão.
Já no Oceano Pacífico, o cenário é oposto. Com as águas mais aquecidas nessa bacia oceânica, há uma tendência maior de formação de tufões e furacões. “Há uma concentração muito maior dos fenômenos no Oceano Pacífico, porque ele está mais quente”, afirmou Côrtes.
