Paulo Machado de Carvalho era o chefe da delegação brasileira nos títulos mundiais de 1958 e 1962. Ele foi um dirigente que quebrou barreiras por causa da proximidade com os jogadores. Depois da vitória contra a França, na semifinal, a equipe fazia os últimos treinos para a decisão, contra a Suécia.
Como as duas seleções usavam a camisa amarela, o futuro “Marechal da Vitória” esperava que os os donos da casa abrissem mão do uniforme principal, mas não foi o que ocorreu. Então, houve um sorteio e o Brasil perdeu e teria de entrar em campo, em Estocolmo, com uniforme reserva. Mas qual?
Paulo Machado de Carvalho descartou a possibilidade de voltar a usar a cor branca, que ficou marcada pela derrota na Copa de 1950 para o Uruguai, em pleno Maracanã. A ideia foi comprar às pressas um conjunto de camisas azuis em uma fábrica da cidade de Böras, cidade a cerca de trinta quilômetros da concentração, em Hindas. Os emblemas da CBD, com a cruz de malta, e os números (na cor amarela) foram costurados à mão pelo roupeiro Assis e pelo massagista Mário Américo. Os calções seriam da cor branca.
Mas como dar a notícia da perda do sorteio para os jogadores? Aí veio a intuição de Paulo Machado de Carvalho. Com raro senso de oportunidade e astúcia, ele deu a informação à equipe da seguinte maneira: “Vamos jogar de azul, a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida. Nossa Senhora está conosco na final da Copa”. Foi uma comemoração só.
