Na manhã de 16 de julho de 1945, no deserto do Novo México, os Estados Unidos realizaram a primeira detonação nuclear da história. O teste, chamado Trinity, foi uma demonstração inédita do poder destrutivo que agora estava nas mãos americanas. A Alemanha já havia se rendido, mas a guerra seguia no Pacífico, e o Projeto Manhattan, o programa americano de armas nucleares, finalmente cumprira seu objetivo: desenvolver uma bomba atômica de verdade. O modelo testado ali era o mesmo que devastaria a cidade de Nagasaki menos de um mês depois.
Começava assim a chamada Era Atômica. Nas décadas seguintes, a disputa pelo poder do átomo estaria no centro de grande parte das tensões entre os EUA e a União Soviética, durante a Guerra Fria.
É curioso pensar que os americanos passaram metade da guerra imaginando que o seu programa nuclear precisava, na verdade, correr atrás do prejuízo. Criado em 1942, o Projeto Manhattan foi uma resposta ao programa nuclear da Alemanha Nazista, o Uranprojekt, que desde 1939 já vinha experimentando com a fissão nuclear (a reação nuclear que dá energia aos reatores nucleares e faz as bombas explodirem, explicada em mais detalhes abaixo).
Contudo, como a história mostrou, as ambições atômicas do Reich não foram muito longe. A principal aposta do Uranprojekt era um reator nuclear funcional, etapa indispensável para produzir plutônio, uma das duas rotas possíveis até a bomba.
