A maneira como crianças e pré-adolescentes falam pode ajudar a identificar sinais de vulnerabilidade para ansiedade, depressão e outros transtornos de saúde mental anos mais tarde. A conclusão é de um estudo que analisou, com auxílio da inteligência artificial, 204 jovens de 9 a 13 anos e acompanhou a evolução da saúde mental deles até seis anos depois.
Os resultados foram publicados em julho na Nature Mental Health e apontam que o estilo da linguagem foi mais informativo do que o conteúdo emocional. Em vez de procurar apenas palavras como tristeza, medo, ansiedade ou raiva em entrevistas com os participantes, os autores identificaram informações em aspectos mais sutis da fala, considerando a forma como as narrativas eram construídas.
Entre esses aspectos estavam as chamadas “palavras funcionais”, como pronomes, preposições e conjunções, expressões que usamos o tempo todo e normalmente não prestamos atenção. Por isso, sua utilização pode ajudar a revelar como uma pessoa organiza mentalmente uma experiência, conecta acontecimentos, faz referência a si própria e aos outros, ou como demonstra certeza e dúvida ao narrar uma situação.
“Quando contamos uma história, fazemos escolhas linguísticas o tempo inteiro sem nem perceber. Essas escolhas podem refletir processos cognitivos e emocionais menos conscientes”, diz o psiquiatra Thiago Andrade Pedrosa, especialista em infância e adolescência do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita.
Jeito de falar na infância pode dar pistas sobre saúde mental no futuro
