Lula está disposto a tudo para ganhar a eleição. Inclusive mobilizar artistas e intelectuais para dizer que só Lula é democrático, que seu adversário da direita é fascista e que sua vitória representaria o “golpismo”.
Tenho dificuldade de encontrar algum artista ou intelectual petista, com cérebro, que consiga me explicar como uma eleição democrática vencida pela direita pode ser um golpe. E, se a democracia que temos é uma mentira, a ponto de as urnas legitimarem um “golpe”, como dizer que Lula manterá a democracia, se não há democracia a ser mantida?
Se Flávio Bolsonaro pode concorrer, receber votos e ser eleito segundo as regras constitucionais, sua vitória é democrática. Se sua vitória é necessariamente um golpe, então a própria eleição e o governo Lula sob o qual ela ocorre deixam de ser democráticos.
O vale-tudo da intelectualidade petista parece não ter grande afeição pela coerência. Mas a contradição revela uma concepção peculiar de democracia: para o petismo, ela existe apenas quando a esquerda vence.
E por isso Lula pode recorrer ao medo enquanto acusa seus adversários de ameaçarem a democracia.
Pode espalhar informação falsa, como fez no episódio de Nossa Senhora Aparecida, e depois posar como combatente das fake news.
Pode convocar André Janones, cujo método político dispensa apresentações, para ajudar na campanha digital. Vale tudo. Ou, para lembrar expressão que o próprio Lula já usou em campanha, vale “fazer o diabo” para ganhar uma eleição.
