Começo com constatações superficiais: tanto Lula quanto o traidor-do-Brasil tiveram pouco mais de um terço dos votos. Outro terço deixou de votar ou votou nos candidatos nanicos: 48 milhões de pessoas. A diferença entre os dois é de 2,2 milhões de votos, 1,4% dos eleitores. Isso equivale aos eleitores de Brasília; é bem menos do que os votos de Cury (3,4M), Renan Santos (2,7M) ou Caiado (2,6M); 2/3 dos eleitores da Baixada Fluminense, pouco mais que os eleitores do ABC. Menos que a margem de erro das pesquisas. Menos, provavelmente, as estatísticas do comká são uma porcaria, que os eleitores que não encontraram a seção eleitoral.
Se criou um dogma de que não há virada no 2º turno. É uma grande besteira. Não houve nas sete vezes que tivemos 2º turno na eleição presidencial, não dá para se chegar a conclusão estatística. E houve muitas viradas nas eleições para prefeito e governador nestes quase quarenta anos.
É comum se definir uma pequena diferença como uma surra. Nós levamos uma surra nos votos para o Congresso, que será o desmentido do que todos achávamos, pior impossível; na velha frase de José Bonifácio, no Brasil o círculo do real é maior do que o do possível. Mas não levamos uma surra na votação do primeiro turno. Perdemos, sim, mas por pouco, e o resultado é reversível.
Tem que ser, pois é absurdo que a democracia seja destruída pelo voto dos eleitores. Mas acontece.
