Para combater infecções de forma eficaz, os macrófagos, células que atuam na linha de frente do sistema imunológico, precisam adaptar rapidamente a maneira como produzem e consomem energia. Uma pesquisa revelou que essa reprogramação metabólica, essencial para sustentar a resposta inflamatória, começa mais cedo do que se documentava na literatura científica. O processo é coordenado pela proteína HIF-1α, que atua como um interruptor celular nas primeiras horas depois da detecção de um patógeno.
O mecanismo é o foco de um estudo apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e publicado em agosto na revista Molecular Cell. Conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), o trabalho identificou que essa transição precoce fornece aos macrófagos a energia necessária para destruir bactérias. Em uma fase posterior, porém, o processo reduz a atividade das próprias mitocôndrias, organelas responsáveis pela produção de energia. Compreender essa dinâmica pode contribuir para o desenvolvimento de terapias capazes de fortalecer o combate a infecções sem provocar respostas inflamatórias excessivas.
Os resultados detalham o modelo bifásico de atuação da HIF-1α, sigla em inglês para fator induzível por hipóxia 1-alfa. No início da infecção, a proteína altera rapidamente a maneira como os macrófagos produzem energia.
