O resultado do primeiro turno das eleições de 2026 desenhou um cenário inequívoco de colapso para o Cidadania. O partido, que carrega em suas raízes a histórica tradição da esquerda democrática do antigo “Partidão” de 1922 e a transição programática do PPS de 1992, sucumbiu ao maior desastre eleitoral de sua trajetória. Contudo, reduzir esse fiasco a uma mera fatalidade das urnas ou à volatilidade da conjuntura é ignorar o processo interno de desestruturação que pavimentou esse caminho.
O desastre, simbolizado pela derrota de Alex Manente, que sucedeu ao ex-deputado federal Roberto Freire e por ele foi apoiado, é o desfecho lógico de uma estratégia centralizadora. Sob o pretexto de controle da legenda, promoveu-se um verdadeiro expurgo político que afastou lideranças históricas, sufocou o debate interno e substituiu a militância orgânica por meros arranjos de conveniência. O poder concentrou-se; o partido esvaziou-se.
O diagnóstico técnico-financeiro expõe a gravidade dessa asfixia institucional. Com expressivos R$ 33,1 milhões do Fundo Eleitoral, o partido foi incapaz de eleger um único deputado federal. O custo médio por voto atingiu a impressionante marca de R$ 56,01, mas as maiores distorções repousam na distribuição seletiva e ineficiente desses recursos.
