O medo dos microplásticos, pensado da perspectiva da cultura do bem-estar, vem redesenhando o guarda-roupa e testa o limite de uma indústria que ainda não sabe viver sem tecidos sintéticos. A preocupação com os efeitos dos tecidos sobre a saúde, no entanto, parece ser mais baseada em uma tendência de comportamento do que em evidências científicas conclusivas.
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A rejeição aos tecidos sintéticos
Ler a etiqueta de composição virou um gesto tão comum quanto olhar o prazo de validade de um alimento. Nylon, acrílico e poliéster, que por quase um século foram sinônimo de praticidade, hoje carregam uma péssima fama.
Segundo o New York Times, essa rejeição vem principalmente da cultura do bem-estar. A mesma lógica que já mudou o modo como as pessoas pensam sobre comida, fitness e skincare agora chega às roupas. A desconfiança com o poliéster em si não é nova: nos anos 1970 e 1980 o tecido passou a ser associado a peças baratas.
O principal receio atual vem da preocupação com a saúde, em razão da exposição aos microplásticos, partículas minúsculas que cientistas já encontraram em corpos humanos e que podem se soltar das roupas sintéticas com o movimento e com as lavagens. Pesquisas preliminares associam essas partículas a condições como doenças cardiovasculares.
Não há ainda, todavia, comprovação de uma relação causal direta entre microplásticos e doenças.
