Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada no sábado, 10, a cientista política Maria Victoria Benevides, de 84 anos, afirmou que o Partido dos Trabalhadores (PT) deixou em segundo plano o trabalho de base e a participação popular. Uma das integrantes históricas da sigla, a professora emérita da Universidade de São Paulo (USP) considera insuficiente a proximidade do partido com artistas e intelectuais conhecidos.
“Sou do tempo em que havia grupos de bairro, que são poucos hoje em dia", afirmou. "O que prevalece é a política oficial dos cargos burocráticos”. Para ela, a atuação institucional precisa caminhar junto com iniciativas que aproximem os partidos da população.
Benevides citou o Movimento de Saúde da Zona Leste, organizado por mulheres na capital paulista na década de 1970, como exemplo da força da mobilização comunitária. Também mencionou a atuação de igrejas evangélicas, que, segundo ela, mantêm contato próximo com os fiéis e desenvolvem atividades de integração social.
Críticas ao cenário político
Filiada ao PT desde a fundação do partido, em 1980, Benevides participou de atividades da legenda ao longo de décadas, mas preferiu não assumir cargos públicos. Sua trajetória inclui atuação acadêmica na USP e participação em organizações dedicadas à defesa dos direitos humanos.
Benevides ainda criticou relações entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e representantes do grande capital.
