Quando os dinossauros reinavam soberanos pelos continentes, os mamíferos eram discretos: pequenos, ariscos e rápidos. Quase sempre esses seres acabavam presas dos grandes répteis. Mas um mamífero misterioso, que cruzou as dunas do que hoje é o sul do Brasil há 130 milhões de anos, tinha porte para encarar pelo menos alguns desses gigantes.
Diferentemente de seus companheiros, suas pegadas mediam mais de 10 centímetros de comprimento e 13 centímetros de largura - maiores que quaisquer outras pegadas de mamíferos conhecidas nesta região geológica. Agora, pesquisadores afirmam que a criatura em questão pode ter sido o maior mamífero a conviver com os dinossauros.
As pegadas foram encontradas na Formação Botucatu, na Bacia do Paraná, um sítio rico em rastros fossilizados, mas pobre em esqueletos. Há mais de 130 milhões de anos, a região fazia parte de um vasto deserto que se estendia pelo Brasil e por partes do sudoeste da África - áreas que, na época, eram vizinhas no supercontinente Gondwana.
Em suas rochas de arenito, estão as marcas deixadas por dinossauros, mamíferos, lagartos, pterossauros e até artrópodes. Mas as pegadas de mamíferos por lá são, em geral, muito pequenas. Até então, as maiores conhecidas tinham cerca de 4,5 a 5 centímetros de comprimento e pouco mais de 6 centímetros de largura.
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As novas pegadas quebram esse padrão, sendo quase o dobro das registradas antes.
