Como se sabe, a Nova República foi um consórcio tácito entre três partidos que, nascidos da vitória cultural contra o regime militar, se alternavam no governo e na oposição como atores de uma mesma companhia. O PMDB fornecia o chão, o PSDB o verniz, e o PT a mística. Durante 30 anos, o eleitor escolheu entre eles como quem escolhe entre os pratos de um mesmo cardápio. Mas chegamos em 2026 e notamos o cardápio amarelado, como o de um estabelecimento que ameaça fechar as portas.
Comecemos pelo velho PMDB, que hoje atende pela sigla MDB e se faz representar pelo rosto vincado de Michel Temer. Os números dispensam adjetivos. O partido que elegeu 66 deputados federais em 2014 elegeu agora 36. A bancada que abriu 2015 com 19 senadores começará 2027 com oito. Dos sete governos estaduais conquistados há 12 anos, resta um garantido, à espera de um segundo turno que talvez lhe dê companhia. Temer, que em 2017 presenteou o Supremo com Alexandre de Moraes, seu tirano prêt-à-porter, corre agora atrás do bolsonarismo com a solicitude de quem precisa de um favor. No dia seguinte ao primeiro turno, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro com uma frase de agência de publicidade: “Reconexão é Flávio”. Na mesma toada, aconselha o pupilo togado a buscar a via da conciliação. Em resumo, o fiador de Moraes descobre as virtudes da direita justamente quando a direita promete cobrar a fatura.
Do PSDB resta pouco além da sigla.
