Em 1913, o governo dos Estados Unidos reformulou o sistema postal do país e criou o serviço de encomendas pesadas, liberando o envio de pacotes com mais de 1,8 quilo. A mudança, projetada para atender produtores rurais e movimentar o comércio, abriu margem para situações inusitadas.
Sem uma regra explícita que proibisse a postagem de seres vivos, algumas famílias identificaram uma oportunidade econômica e passaram a despachar os próprios filhos sob o cuidado dos carteiros.
Assim, muito antes de o transporte de menores desacompanhados se tornar comum na aviação comercial, o correio americano passou a receber cargas que iam de caixões e animais até bebês e crianças pequenas.
Dos trajetos curtos às viagens de mais de mil quilômetros
O pioneiro dessa prática foi o casal Jesse Beauge, morador da cidade de Glen Este, no estado de Ohio. Em 1913, os pais despacharam o filho de dez meses, que pesava aproximadamente 4,5 quilos, até a residência da avó, a cerca de 1,6 quilômetro de distância.
A viagem custou apenas 15 centavos de dólar em selos, e a família ainda contratou um seguro postal de 50 dólares para garantir a segurança da entrega.
Em áreas rurais, o método ganhou espaço e passou a cobrir distâncias cada vez maiores. A pequena Edna Neff, de 6 anos, percorreu mais de 1.100 quilômetros ao ser enviada de Pensacola, na Flórida, para a casa do pai em Christiansburg, na Virgínia.
Os menores não viajavam trancados em caixas ou embalagens.
