O texto a seguir foi publicado originalmente no Jornal da USP.
Fatores geopolíticos, econômicos e sociais influenciam fortemente a forma como a comunidade internacional reage a emergências sanitárias, como mostra pesquisa da USP. O estudo analisou por que algumas crises mobilizam mais atenção política, recursos e ajuda internacional do que outras.
Quando um surto de ebola permanece circunscrito a países africanos, a resposta quanto à sistemática da comunidade internacional - atenção política, envio de suprimentos, profissionais e recursos financeiros - tende a ser mais lenta e negligente. O cenário muda quando a doença passa a ser vista como uma “ameaça à segurança internacional”, principalmente quando há risco de disseminação para além do continente africano e de chegada ao Norte Global. Um exemplo foi o grande número de casos na África Ocidental em 2014: houve registros também nos Estados Unidos, na Espanha, no Reino Unido e na Itália.
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“Essa discussão ganha relevância diante do cenário epidêmico recente na República Democrática do Congo (RDC), na África Central, que voltou a registrar casos de ebola e teve a circulação da cepa Bundibugyo também identificada em Uganda”, afirma a professora Deisy de Freitas Lima Ventura, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e orientadora da pesquisa.
A RDC declarou oficialmente o surto de ebola causado pela variante bundibugyo em 15 de maio.
