Em meio aos desafios impostos pela seca e pelas oscilações do mercado pecuário, uma estratégia desenvolvida no Pantanal de Mato Grosso do Sul projeta um lucro líquido de aproximadamente R$ 160 mil com um lote de 200 bezerros. Batizado de “Sequestro Pantaneiro”, o experimento realizado na Fazenda Aparecida busca transformar um período crítico para a pecuária em uma oportunidade de valorização dos animais e proteção do caixa da propriedade.
A iniciativa, liderada pelo grupo Pecus em parceria com o Grupo Real e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), propõe uma alternativa à venda de bezerros recém-desmamados durante a seca, quando a escassez de pasto pode pressionar os preços e obrigar produtores a negociar os animais em condições desfavoráveis. Em vez da venda imediata, os bezerros são mantidos em piquetes adaptados, com sombra, água e alimentação controlada, até que atinjam maior peso e encontrem condições mais favoráveis de comercialização.
“Não estamos inventando a roda, mas estamos quebrando paradigmas. O objetivo é técnico e financeiro. Tiramos o bezerro do pasto, que está com restrição, e o levamos para uma estrutura fechada para agregar peso até o mercado reagir”, explica o pantaneiro Marcelo Rondon.
Segundo Rodrygo Sanchik, coordenador técnico da Pecus, o planejamento prevê manter os animais por cerca de 100 dias, evitando que ultrapassem os 12 meses de idade e mudem de categoria comercial, passando de bezerros a garrotes.
