Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) mostrou que, em setembro deste ano, praticamente um a cada quatro brasileiros estava fazendo novas dívidas ou recorrendo até à poupança para conseguir pagar contas básicas, como água, luz e gás.
Segundo a pesquisa, 24,9% da população contraiu dívidas ou perdeu parte do patrimônio para quitar as despesas do dia a dia. Trata-se do maior porcentual para setembro desde 2022, quando o índice era de 25,4%.
A parcela de brasileiros que enfrenta esse tipo de dificuldade para fechar as contas do mês se aproxima do índice registrado no período entre 2015 e 2016, quando o país passou pela maior recessão econômica de sua história, na reta final do governo da então presidente Dilma Rousseff (PT).
“O que eu vejo de pior nesse cenário é que o mercado de trabalho está entrando numa fase de um pouco mais de estabilidade e, ao mesmo tempo, o que temos visto é que as condições das famílias também têm piorado porque elas estão muito endividadas”, alerta Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV Ibre.
“Por mais que esse endividamento não seja tão recente, é algo que já vem acontecendo, eu entendo que, em outros momentos, o mercado de trabalho poderia estar compensando essa percepção pior”, prossegue Tobler.
Segundo o pesquisador, “a situação financeira não estava tão boa, mas, ao mesmo tempo, a renda do trabalho estava subindo; havia algum viés de melhora vindo do mercado de trabalho”.
