A cada chuva forte, a dona de casa Rosemari Peres Barbosa vê a água transformar a rua em frente à sua casa, em Unaí (MG), num córrego. Já perdeu móveis, comida e até a 1ª casa que construiu no terreno, em 2006. Ela vive na periferia da cidade mineira, perto da zona de transbordo do Rio Preto, que corta a cidade.
Depois de uma das enchentes, precisou morar com a família em um barraco de plástico enquanto reconstruía a casa. “Tinha desmanchado tudo. A água corria aqui como se fosse um córrego dentro da minha chácara”, conta. Na época, tinha uma neta de 2 meses que vivia com ela.
O problema é conhecido há 20 anos e continua sem solução. Para que as crianças consigam atravessar a área alagada e chegar à escola durante o período de chuvas, o marido improvisou uma pequena ponte de madeira. Na seca, a ponte parece uma cena de realismo mágico: liga a calçada à metade da rua. Na chuva, a imagem deixa de parecer estranha e volta a ser necessidade.
“Não tem nem como virar lembrança. Todo ano a gente passa pelo mesmo problema”, diz Rosemari, de 48 anos. O que falta não é saber onde a água vai passar. É trazer a obra de drenagem.
O caso de Unaí ajuda a dimensionar uma questão que se repete em municípios de todo o país.
