Quem vê aquela mulher de rosto bonito, sorriso largo e fala mansa todas as manhãs na televisão pode até imaginar que a vida sempre sorriu de volta para Patrícia Poeta. Que o caminho até um dos postos de maior visibilidade da TV brasileira foi natural, quase óbvio. Basta, porém, sentar para conversar com ela, por alguns minutos, para entender que existe uma história bem diferente por trás da imagem que chega à casa de milhões de brasileiros.
Patrícia Poeta precisou ser guerreira. Precisou insistir quando ainda não havia certeza alguma de que daria certo, trabalhar de graça para conquistar experiência, sair sozinha do Rio Grande do Sul e chegar a São Paulo com fitas cassete debaixo do braço para distribuir nas emissoras. Precisou provar que merecia estar ali e, muitas vezes, como mulher, sentiu que precisava trabalhar duas ou três vezes mais, ter mais ideias, estar mais preparada e se fazer mais presente.
“Eu podia ter dúvida, medo, saudade, podia até chorar, mas nunca deixei que nada disso fosse maior do que a minha vontade de continuar”, resumiu à coluna Fábia Oliveira.
É essa mulher que chega agora aos 50 anos. Não exatamente fazendo um balanço, porque ela própria rejeita a ideia de viver olhando demais para trás ou tentando prever o que estará fazendo aos 60. Patrícia prefere o presente. E talvez seja justamente por isso que esta nova fase venha acompanhada de uma palavra que aparece tantas vezes durante a conversa: permitir.
Ela tem se permitido dizer mais “sim”.
