A alta dos juros tem sido frequentemente apontada como principal vilã da saúde financeira das empresas brasileiras. No entanto, para José Roberto Mendonça, da MB Associados, essa explicação é insuficiente e até equivocada quando tomada de forma isolada.
Estrutura de capital frágil agrava impacto dos juros
Mendonça explica que empresas com baixa relação entre capital próprio e dívida ficam, por definição, vulneráveis quando os juros sobem de forma inesperada e acentuada.
“Se o juro sobe inesperadamente bastante, todas as empresas que têm uma estrutura de capital, a relação capital próprio, dívida, muito baixa, elas ficam, por definição, frágeis no sistema”, afirmou.
Segundo ele, quanto maior for a dívida em relação ao capital próprio e quanto maior for a taxa de juros para refinanciá-la, mais grave se torna a situação.
O especialista utilizou o setor agrícola como ilustração do problema. Os anos de 2021, 2022 e 2023 foram marcados por bons preços e alta produtividade, o que entusiasmou produtores e empresas do setor, levando-os a expandir a produção com recursos de terceiros, bancos, mercado de capitais e outras fontes de crédito.
“Muita gente se entusiasmou e começou a dizer: eu vou aumentar a produção, só que com o dinheiro do banco, com o dinheiro do mercado de capitais”, relatou Mendonça.
O problema, segundo ele, é que os mercados agrícolas têm ciclos de alta e de baixa.
