Por Marlon Reguelin*
Para nós, ocidentais, a figura do diabo não é propriamente algo com o qual não estejamos habituados. Sendo a Bíblia Sagrada o livro mais lido/distribuído da história, é certo que a imensa maioria das pessoas, mesmo as não cristãs, conhece em alguma medida as características daquele que é o antagonista de Jesus Cristo.
A Escritura não trata o diabo como personagem folclórico, mas alguém real e com método. Jesus o apresenta em João 8.44 como "pai da mentira", alguém cuja língua nativa é a falsidade. Paulo acrescenta o disfarce: Satanás se transfigura em anjo de luz (2Coríntios 11.14). Curioso notar que ao contrario do imaginário popular, nos relatos bíblicos, o diabo não aparece com chifres e tridente, mas com aparência de bondade, de socorro, de solução.
Nem mesmo Jesus foi poupado da provocação. No deserto, o tentador levou o Senhor a um monte alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e os ofereceu, sem cruz, sem redenção, sem sacrifício, em troca de um pequeno desvio (Mateus 4.8-9). Reino sem custo, poder sem caminho.
Mentira, disfarce e atalho compõem o método.
Nenhuma pessoa é propriamente o diabo. Já os métodos de alguns, no entanto, podem sim ser diabólicos, e vale reconhecê-los quando aparecem em discursos carregados de engodo.
A frase que virou predicado
Em 2013, Dilma Rousseff disse que quando é hora de eleição, "nós podemos fazer o diabo", conforme registrou a Gazeta do Povo.
