A vacinação contra o vírus herpes-zóster em idosos pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver demência, sugere um novo estudo publicado no periódico Annals of Internal Medicine (Anais de Clínica Médica, em português), liderado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown, nos Estados Unidos.
O vírus é o mesmo causador da varicela, ou catapora. Depois da primeira infecção, normalmente na infância, ele permanece latente em gânglios do sistema nervoso por décadas. Em pessoas com baixa imunidade, o que inclui os idosos, ele pode “despertar”. Ao caminhar pelo sistema nervoso periférico, causa o chamado “cobreiro”, doença caracterizada por lesões na pele que provocam coceira, formação de bolhas e que pode levar a um quadro extremamente doloroso.
Mas o vírus também pode atingir o sistema nervoso central, provocando um processo inflamatório crônico que pode causar danos ao cérebro. “O processo inflamatório crônico somado ao envelhecimento compromete o mecanismo de reparação após uma agressão”, explica o neurologista Augusto Penalva de Oliveira, do Einstein Hospital Israelita. “Estudos sugerem que esse vírus está associado não só à demência, mas também a quadros vasculares, como AVC [acidente vascular cerebral].”
Segundo os autores do artigo, pesquisas observacionais anteriores sugerem que a vacina contra o herpes-zóster confere proteção ao cérebro.
