A representação evangélica no Congresso Nacional reduziu consideravelmente nos últimos 8 anos. A constatação é do historiador Guilherme Galvão Lopes, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que investiga os políticos evangélicos sob a perspectiva histórica. Na análise dele, a bancada evangélica está em um processo de divisão. Um desses grupos fragmentados deve ser liderado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, senadora eleita pelo PL do Distrito Federal.
Galvão Lopes produz uma base de dados minuciosa sobre o número de deputados e senadores das igrejas evangélicas desde 1983. O levantamento não conta apenas os políticos que seguem a religião. Também não se trata de mera contagem de membros da Frente Parlamentar Evangélica, que como qualquer outra Frente Parlamentar, pode ser frequentada por políticos de qualquer credo. O historiador contabiliza os parlamentares que fazem das pautas evangélicas uma bandeira política.
A pesquisa de Galvão Lopes mostra como os políticos evangélicos passaram, ao longo do século 21, da direita para a esquerda. O ponto de virada, diz o historiador, foi o sentimento de inconformidade eclodido em 2013, com denúncias sobre as obras da Copa do Mundo e o aumento da tarifa de transporte público, que culminou numa reeleição apertada de Dilma Rousseff (PT), em 2014, sucedida pelo impeachment dela em 2016.
O governo de Michel Temer (MDB), que sucedeu as gestões de Dilma Rousseff, já era bastante ancorado pela bancada evangélica conservadora.
