Está tudo aí, à mostra. Ninguém poderá dizer que não viu. A verdade é que quase todo mundo enxerga o cenário real, mas uma grande parte concorda com o que lhe é oferecido, ou simplesmente não se incomoda.
Foi exatamente assim que, em 2018, Jair Bolsonaro, um deputado do baixo clero que passou duas décadas na Câmara sem grande relevância, se elegeu presidente da República. O que ele prometia? Derrubar o sistema. Para quê? Para pôr outro no lugar. Qual? Ele nunca dizia. Como resultado, seu governo terminou com uma tentativa de golpe de Estado.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, não fala em derrubar o sistema. Até porque ele é o candidato do próprio sistema, aquele que deseja que tudo permaneça exatamente como está.
Esse projeto político ignora o debate sobre justiça social, rejeita a redução da jornada de trabalho e desidrata os investimentos em programas sociais. Mais do que isso: jamais aceitará que os mais ricos paguem impostos proporcionais, mantendo a conta mais pesada sobre os ombros dos mais necessitados. Os Estados Unidos são o espelho dessa linha de pensamento; a Argentina de Javier Milei também.
