A América do Sul soube aproveitar suas vantagens econômicas, mas não conseguiu transformá-las em um projeto comum de inserção no mundo, segundo Alberto Pfeifer, coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo).
Para ele, sem uma agenda coesa de integração regional, os países do continente seguem sem peso estratégico no cenário internacional.
Pfeifer afirma que a região se especializou naquilo em que tinha vantagens comparativas: recursos naturais, energia, petróleo, gás, minérios e agricultura. É o caso do minério de ferro no Brasil e do cobre no Chile e no Peru.
O Brasil, segundo o especialista, foi além e passou a ter também vantagens competitivas. O país domina a chamada “tecnologia tropical”, é líder mundial nessa área e o principal exportador de commodities do planeta.
“Do ponto de vista da racionalidade econômica, fez o certo”, diz Pfeifer ao WW Especial. Para ele, o problema está na dimensão político-estratégica: “Ficou faltando a concepção de um plano de inserção e um plano de integração. Já que todos têm vantagens em commodities, vamos nos unir e jogar isso em relação ao mundo.”
Sem essa união, a região acabou dependente de lógicas tecnológicas que não lhe favorecem. Os países sul-americanos são, em sua maioria, importadores de tecnologia, de produtos de alto conteúdo tecnológico, de manufaturas e de serviços.
