O Distrito Federal teve, no primeiro turno das eleições 2026, a maior quantidade de eleitores que deixaram de votar em um dos turnos nos últimos 12 anos. Foram 426.924 que não foram às urnas no domingo (4/10), um total de 18,9% dos que estavam aptos (2.258.320).
Em 2022, a abstenção no DF se manteve parecida com a deste ano: 17,57% no primeiro turno (387.005 eleitores); e 16,71% no segundo (368.148). Quatro anos antes, o percentual foi parecido com o de 2026: 18,71% no primeiro (390.075 eleitores); e 18,93% (394.537 eleitores) no segundo turno.
Já em 2014, quando o Brasil ainda não vivia uma polarização política tão intensa, os números do DF foram consideravelmente menores. No 1º turno, 221.387 (11,67%) eleitores deixaram de votar, enquanto 239.875 (12,64%) não foram às urnas no segundo turno.
Mas o que pode ter feito esse percentual subir com o passar dos anos? Um levantamento do grupo Observa DF, vinculado à Universidade de Brasília (UnB), apontou sinais de desgaste do eleitorado em relação ao ambiente político. Na pesquisa, dos 1 mil eleitores do DF entrevistados, 44% classificaram as conversas sobre a campanha como estressantes ou frustrantes.
Cientista político e consultor de relações governamentais, João Victor Barbosa disse ao Metrópoles que os números da pesquisa sugerem um desgaste com o tom do debate.
