Os tardígrados, popularmente conhecidos como ursos-d’água, medem de 0,1 a 1 milímetro e possuem a capacidade extraordinária de resistir ao vácuo do espaço, a pressões seis vezes maiores que as do ponto mais fundo do oceano, a baixíssimas temperaturas e a níveis de radiação mil vezes superiores ao limite mortal para os seres humanos.
A chave para essa sobrevivência não está em uma carapaça rígida, mas sim em adaptações bioquímicas em nível celular e molecular que permitem ao micro-animal entrar em um estado de dormência extrema, denominado criptobiose.
Encontrados em todo o planeta, desde sedimentos marinhos até gotículas de orvalho em musgos e folhas em decomposição, os invertebrados de oito patas apelam para a anidrobiose sempre que o ambiente seca. Nesse processo, o tardígrado encolhe os membros, assume uma forma compacta chamada tun e perde entre 95% e 97% da água do seu organismo.
Com a desidratação, o metabolismo cai a níveis praticamente nulos, paralisando as funções vitais sem a necessidade de ingerir alimentos, absorver água ou queimar gordura.
“Ele simplesmente aperta o botão de ‘pausa da vida’. Mas isso não é hibernação, afinal, um urso hibernando continua respirando e queimando gordura, e o tardígrado não. É como se a vida dele ficasse congelada no tempo, esperando a água voltar”, explica o biólogo Fausto Ferraz, doutor em Biologia Celular e professor da Faminas.
