Eis a questão: como Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, cortará, se eleito, algo entre R$ 250 bilhões e R$ 300 bilhões em despesas? Trata-se de uma soma fabulosa. Não me venham dizer que esse Hamlet do bolsonarismo, o fantasma do pai, aliás, assombra o país inteiro, não apenas a ele, está entre “o ser e o não ser” diante do crânio de Yorick. Esse príncipe da Zona Oeste do Rio já fez a sua escolha. O que ele precisa, agora, é escondê-la.
O seu Polônio da moderação, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que deveria sussurrar-lhe prudência atrás da cortina, converteu-se, também ele, ao extremismo, mas sempre com fala mansa. Resta, então, a aritmética, que não tem vocação para a hipocrisia. Só há um jeito de fazer o que eles julgam que tem de ser feito: os pobres pagarão a conta. Ver-se-á, assim, não um, mas uma pilha de “crânios” do “não ser”.
Daniella Marques, uma das pensadoras econômicas da turma, chegou a falar em um “cardápio de cortes”. É o primeiro restaurante da história em que se paga a entrada com o voto e só depois se fica sabendo quais pratos não serão servidos. O preço, esse sim, já se conhece, e fez brilhar os olhos “duzmercáduz”. A extrema direita ataca Lula por causa do preço da picanha… O filho do fantasma, segundo esses bambas, seria moralmente superior: com ele, carne nem em fatias. Se feito o que está nos planos, restará à mesa o pão amanhecido. E não faltará quem diga: “Para a pobrada, tá bom; picanha é para os meritocratas”.
