Por Francisco Lauande Jr*
O filme Melhor é Impossível (As Good as It Gets, produção norte-americana de 1997) pode ser considerado um dos clássicos do cinema. É uma obra atemporal. A história tem como protagonista Melvin Udall (Jack Nicholson, premiado com o Oscar pelo papel), um escritor bem-sucedido de meia-idade, misantropo e com transtorno obsessivo-compulsivo grave que vive isolado do convívio social, um homem solitário, grosseiro e sem filtros. Sua rotina rígida desmorona quando ele é forçado a interagir com o oposto do que tolera: Carol (Helen Hunt), uma garçonete sem refinamentos intelectuais, e Simon (Greg Kinnear), seu vizinho artista e homossexual. Depois de Simon sofrer uma agressão brutal e ser hospitalizado, Melvin se vê obrigado a cuidar do cachorrinho do vizinho e a lidar com o caos alheio. A partir desse atrito forçado, o filme revela como o afeto e a civilidade podem nascer da convivência prática, no encontro natural das diferenças inerentes a nós seres humanos.
Melvin Udall personifica todos os tipos difusos de intolerância que persistem mesmo em culturas mais evoluídas, destilando comportamentos explicitamente xenófobos, racistas e misóginos. Nos dias de hoje, ele seria um alvo instantâneo para o linchamento virtual absoluto. No entanto, o destino o coloca exatamente no olho do furacão da convivência social real.
