Quase uma semana depois do primeiro turno, conseguimos de maneira adequada avaliar o que funcionou e o que não funcionou nas campanhas de Flávio Bolsonaro e de Lula. Podemos dizer, por exemplo, que Flávio não foi capaz fazer com que Caiado e Zema se juntassem a ele, já no primeiro turno, numa frente unida da direita. Há pelo menos quatro semanas era mais do que óbvio que nenhuma terceira via conseguiria chegar a sequer 5% dos votos válidos. A soma de votos de Caiado e Zema poderia ter feito a eleição acabar já no primeiro turno. A falta de diálogo ou de poder de convencimento do candidato do PL o atrapalhou diretamente nesse aspecto.
Mas Flávio e seus estrategistas, por outra via, foram muito eficazes em explorar as ações ditatoriais do Supremo para trazer os eleitores independentes para o seu canto da urna. Conseguiram estabelecer de maneira praticamente definitiva na mente popular, principalmente depois da bizarrice que levou ao cancelamento do debate da Globo, que Moraes, Dino e Mendes são os capangas togados de Lula; que a maioria dos ministros do STF utiliza a máquina judicial para favorecer o petista. E mais, conseguiram com boa margem de convencimento definir que Lula é o próprio sistema, o mesmo sistema que afunda o país em dívidas e demagogias sociais. Tais acertos discursivos levaram, a reboque, à eleição de maiorias conservadoras no Senado e na Câmara dos Deputados, além de governadores à direita em inúmeros Estados-chave.
