“Forte ou fraco? Eu prefiro fraco”, perguntou a mulher de vestido rosa e brincos de pérola ao oferecer um café. Assim, Maria Cristina Peduzzi, ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), recebeu a reportagem de Oeste em seu gabinete em Brasília, onde volumes jurídicos de lombadas vermelhas dividem a estante de madeira com fotografias, imagens de Nossa Senhora Aparecida e mais de 20 condecorações. A cordialidade do convite acompanha a conversa. Com voz pausada e tom professoral, ela desenvolve as respostas, encadeia argumentos e encontra exemplos com rapidez.
A familiaridade com o Direito foi construída em diferentes lugares: nos escritórios de advocacia, no Ministério Público, nas salas de aula e, há 25 anos, no TST. Formada pela Universidade de Brasília (UnB) em 1975, Maria Cristina exerceu a advocacia por mais de duas décadas, com atuação nos tribunais superiores. Foi procuradora da República, procuradora do Trabalho e professora universitária. Na UnB, também obteve o mestrado em Direito, Estado e Constituição. Chegou ao tribunal em junho de 2001, durante o governo FHC, em uma vaga destinada à advocacia, e depois integrou o Conselho Nacional de Justiça e dirigiu a escola nacional de formação de magistrados do trabalho.
Em fevereiro de 2020, tornou-se a primeira mulher a presidir o TST. Um mês depois, teve de comandar o tribunal com as portas fechadas pela pandemia de covid-19 e manter os julgamentos a distância.
