O paciente começa a usar uma caneta para tratamento da obesidade, perde uma quantidade importante de peso e, alguns meses depois, percebe mais cabelos no travesseiro, no banho ou na escova. A associação parece imediata: foi o medicamento que provocou a queda? A resposta ainda não é tão simples.
Uma meta-análise publicada em 2026, reunindo estudos com mais de 4 mil usuários de medicamentos agonistas de GLP-1, encontrou risco maior de queda de cabelo em comparação com placebo. Outros trabalhos recentes também apontaram associação entre essa classe de medicamentos e diferentes formas de queda, especialmente com semaglutida e tirzepatida.
Isso não significa, porém, que já esteja demonstrado que essas substâncias atacam diretamente o folículo capilar. Existe outro fenômeno acontecendo ao mesmo tempo: muitos pacientes perdem bastante peso em um período relativamente curto, e sabemos há décadas que mudanças metabólicas importantes e emagrecimento rápido podem interferir no ciclo dos cabelos.
Por que emagrecer rapidamente pode fazer o cabelo cair?
Cada fio passa por diferentes fases ao longo da vida. Existe um período de crescimento, seguido por fases de transição e repouso, até que o cabelo finalmente se desprenda e seja substituído.
Diante de uma mudança importante no organismo, um número maior de fios pode entrar antecipadamente na fase de repouso. Meses depois, esses cabelos começam a cair de maneira mais intensa e difusa. É o chamado eflúvio telógeno.
