Ailton Krenak entrou na memória do Brasil em 1987, quando pintou o rosto de preto na tribuna da Constituinte defendendo os direitos dos povos indígenas. Sua voz atravessou as décadas e chegou a leitores que passaram a se perguntar, com ele, como adiar o fim do mundo.
Seus livros nos fazem olhar para a vida que estamos levando: a obrigação de produzir o tempo inteiro, o desejo de consumir cada vez mais, a distância que criamos entre nós e a natureza. Krenak nos lembra que um rio pode ser nosso avô.
Ao falar da destruição deles, os rios, cita o Ipiranga: “Um país que se permite transformar em esgoto o rio que dá origem à sua identidade é de doer”. Mesmo diante de tanta destruição, ele nos convida a continuar sonhando.
Agora, aos mais de 70 anos, o escritor, filósofo e primeiro indígena a integrar a Academia Brasileira de Letras está vivendo uma nova experiência profissional e de vida: fazer cinema. Uma história que carregava havia mais de uma década ganhou argumento, roteiro e um filme de ficção, gravado no Cerrado, perto de Brasília. Krenak é o diretor.
No Que Dia, programa da TV Metrópoles apresentado por este colunista, Krenak revela com exclusividade detalhes do filme. A história acompanha um xamã do povo Xavante que sonha com a chegada de uma missão religiosa ao território de sua comunidade. Diante da ameaça, ele deixa a aldeia e passa a viver sozinho no mato, transitando entre o mundo material e o dos sonhos.
Um dia, um padre aparece ao lado de sua esteira.
