Ando reflexiva nesta campanha. Não pelo que o governo faz, porque disso eu já não me surpreendo. Mas pela naturalidade com que tudo é recebido.
Olhe o calendário. A 17 dias do primeiro turno, Lula reajustou o Bolsa Família em 15%, com o novo valor caindo na conta justamente na semana do segundo turno.
No dia 25 de setembro, assinou a MP que proíbe as bets. Agora, a 16 dias da votação, zera por 30 dias os impostos federais sobre a gasolina. E o governo corre para aprovar o fim da escala 6×1 no Senado “antes do segundo turno”, nas palavras do ministro José Guimarães.
A Câmara aprovou a proposta em maio. A pressa só apareceu agora.
Quero ser justa. Corrigir um benefício pela inflação é legítimo. Aliviar o combustível em meio a uma guerra é defensável. O problema não é o quê. É o quando. Foram três anos sem reajuste, e ele aparece na semana do voto. Isso não é política social. É calendário eleitoral.
As bets são o caso mais revelador. Foi este governo que regulamentou as apostas, cobrou R$ 30 milhões por licença e comemorou a arrecadação. Se elas fossem o mal que agora dizem ser, a proibição teria vindo em 2024.
Veio agora porque proibir é popular. E a MP pode até caducar no Congresso, mas as empresas que fecharam já foram prejudicadas.
Alguém dirá que isso é compra de voto. No sentido da lei, não é. Ninguém entregou dinheiro em troca do número na urna. É pior: é feito à luz do dia, dentro da lei e com o dinheiro do próprio eleitor.
