Na coluna passada, escrevi sobre a necessidade de ampliar a representação política das mulheres. Votei em mulheres, não sem antes examinar suas trajetórias, o que fizeram, o que defenderam e de que maneira suas decisões melhoraram a vida de quem depende delas. Não basta um nome feminino na urna.
Acordei com a notícia de que doze mulheres haviam sido eleitas para o Senado, um recorde, uma conquista desde a redemocratização. Preparei o café, lavei a louça, passeei a Ricotinha e abri o computador. Tenho essa mania de considerar perfeitamente normal que uma mulher estude, exerça uma profissão, receba pelo próprio trabalho e decida o que fazer da vida. Difícil crer que, ainda em 2026, haja quem discuta os limites dessa liberdade. Será que deveria telefonar ao meu pai ou a algum outro homem da família antes de tomar decisões? Meu pai já morreu e seus conselhos, confesso, me fazem falta. Dizia que a única coisa que ninguém nos tira é o conhecimento adquirido nos estudos. Ideias progressistas de um imigrante que chegou ao Brasil nos anos 1960. Mas, voltando à autorização, poderia consultar um irmão, tio, sobrinho, filho ou neto. Quem sabe o vizinho?
Antes das nove, já havia respondido as mensagens, lido os jornais, consultado uma pesquisa e preparado parte de uma aula. Sou urbanista, pesquisadora, ativista social, mãe, avó e, até onde sei, um ser humano vivendo no século XXI. Passei boa parte da vida nas universidades e continuo por lá.
