Uma bolsa de sangue raro foi transportada com urgência na cabine de um voo comercial, do Ceará até Juiz de Fora (MG), para atender a um paciente que havia acabado de passar por um transplante renal e estava internado em estado grave. A coleta foi feita na quinta-feira (8), e a bolsa chegou ao destino nesta sexta-feira (9).
Sem encontrar sangue compatível no território mineiro, a rede de hemoterapia acionou o CNSR (Cadastro Nacional de Sangue Raro), que localizou um doador no Ceará. Ele foi ao hemocentro, doou, e a bolsa foi liberada em embalagem apropriada, com controle de temperatura até o local da transfusão. Outros doadores estão sendo convocados para garantir o atendimento contínuo ao paciente.
O transporte foi feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de parceria entre o Ministério da Saúde e companhias aéreas.
Depois da cirurgia, testes pré-transfusionais identificaram no paciente o anticorpo anti-Jsb, que ataca e destrói glóbulos vermelhos com o antígeno KEL7. Como quase todas as pessoas têm esse antígeno, o organismo do paciente ataca o sangue da maioria dos doadores, o tornando portador raro.
Um perfil sanguíneo é considerado raro quando aparece em menos de uma a cada mil pessoas testadas. Nesses casos, encontrar uma bolsa compatível pode exigir buscas em vários estados
Cadastro Nacional de Sangue Raro
O CNSR reúne hoje 2.032 doadores e já ajudou no atendimento de mais de 300 pacientes.
