A candidatura de Flávio Bolsonaro nasceu da necessidade de manter sob controle o campo da direita e preservar o projeto político da família. Havia uma missão particular: caso eleito, Flávio poderia conceder indulto ao pai, Jair Bolsonaro, condenado pela trama golpista. A Constituição dá ao presidente essa prerrogativa, embora sua aplicação possa ser questionada pelo Supremo.
Mas após os resultados do primeiro turno, em que saiu favorito e teve um Congresso eleito a seu favor, o projeto pode ganhar maiores dimensões, em que Flávio seria o articulador de uma nova correlação de forças entre Executivo, Congresso e Supremo. Não por acaso, nesta semana afirmou que pretende usar a maioria conservadora eleita para “mudar a Constituição” e “redemocratizar” o país; Rogério Marinho, seu coordenador de campanha, se reuniu com Edson Fachin, presidente do STF; sua candidatura recebeu apoio do União Brasil, Podemos, PP e Republicanos; Michel Temer também apoia Flávio.
O caso Master, as investigações sobre emendas parlamentares, a maioria no Congresso e os conflitos do bolsonarismo com o STF - e a promessa de campanha de impeachment de ministros da Corte - entram no cálculo político.
