Uma análise de dentes de leite encontrou 19 substâncias químicas em concentrações significativamente maiores em crianças com autismo do que naquelas sem o diagnóstico. Os compostos são usados em diferentes produtos, como plásticos, pesticidas, fragrâncias e itens de higiene pessoal.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que o estudo não permite afirmar que a exposição a essas substâncias cause autismo.
O trabalho foi publicado em 6 de agosto na revista Neurotoxicology and Teratology. A equipe analisou dentes de leite doados pelas famílias de 38 crianças, sendo 22 com autismo e 16 sem o diagnóstico, que formaram o grupo de comparação.
Os pesquisadores utilizaram os dentes para investigar a exposição a substâncias químicas durante a gestação e os primeiros anos de vida. Diferente de exames de sangue e urina, que registram a presença de compostos em períodos mais curtos, os dentes podem preservar sinais da exposição acumulada durante sua formação.
O que os dentes revelam
Os dentes de leite começam a se formar ainda durante a gestação, por volta do quarto mês, e continuam seu desenvolvimento até aproximadamente os três anos de idade. Por isso, podem guardar informações sobre a exposição a substâncias químicas nesse período.
A equipe limpou e preparou as amostras e utilizou técnicas laboratoriais para identificar compostos presentes nos dentes.
