Lula perdeu o 1º turno por duas razões:
A primeira, de caráter mais estrutural, diz respeito à economia e forma de governar neste mandato. Com relação à economia, ela não vai bem. O PIB do Brasil encontra-se estancado em cerca de US$ 2,2 trilhões desde 2010; a linha econômica neste mandato não funcionou, sem desenvolver o país; os preços dos alimentos e dos bens básicos são percebidos pela população como muito altos comparados a anos atras; 82% das famílias brasileiras encontram-se endividadas em situação de inadimplência; e há uma crise fiscal “contratada” para 2027. “It is the economy, stupid”, na frase de James Carville durante a campanha de Clinton para explicar as variações eleitorais. Ao contrário do Lula 1 e Lula 2, quando Lula fez um governo de coalizão com parte significativa do Centro político e econômico, no Lula 3 o governo foi estritamente partidário, perdendo o centro político no final do 1º Turno. Lula hoje encontra-se com avaliação negativa de seu governo, o que dificulta suas perspectivas eleitorais.
A segunda, de caráter mais conjuntural, prende-se à crise do STF. Esse foi o gatilho da virada para Flávio Bolsonaro neste 1º turno. Na véspera destas eleições, em jantar em casa de amigos com grupo empresarial, vi isto ocorrer, com muita indignação por parte daqueles que redefiniam os seus votos. O movimento tornou-se forte nas urnas, e quando um movimento começa é difícil de arrefecer a curto prazo.
