Belo Horizonte, Em um momento em que o cinema produzido nas periferias ganha cada vez mais visibilidade, um projeto de Belo Horizonte propõe uma reflexão: o que fica para uma comunidade depois que as câmeras vão embora?
A pergunta deu origem ao Cine Dorothy, iniciativa que leva sessões gratuitas de cinema a vilas, favelas e ocupações da capital mineira e que, em 2026, passa a circular por diferentes regiões da cidade.
A ideia surgiu entre 2022 e 2023, durante a preparação do curta-metragem Eva, escrito e dirigido por Franco Dafon, e produzido por Ana Gusmão e Fabiana Santos, realizado na Ocupação Irmã Dorothy, na Região do Barreiro. O filme conta a história de uma mulher interiorana, que vive em uma ocupação junto ao seu filho e marido.
Antes das filmagens, a equipe decidiu conhecer o território, conversar com moradores e entender a realidade da comunidade. Foi nesse processo que percebeu a falta de acesso a atividades culturais.
“Muitas vezes, o cinema chega em comunidades e em territórios periféricos, realiza o seu filme, utiliza aquele espaço, aquelas pessoas e aquelas histórias, e depois vai embora. Não existe necessariamente um retorno para a comunidade”, explica o idealizador do projeto, Franco Dafon, que também é produtor, roteirista e diretor, sendo dono da Companhia de Cinema Vernuma.
