Na discussão política, a pergunta serve para distinguir quem apoia conscientemente uma conduta de quem reconhece o problema, mas aceita que ele continue. Não é uma acusação criminal contra o eleitor. É uma provocação sobre responsabilidade: quando sabemos o que um candidato pensa e defende, o voto deixa de ser um gesto sem consequências.
Flávio Bolsonaro disputa a Presidência como herdeiro político de Jair Bolsonaro. Mas seu histórico precisa ser examinado por seus próprios atos. O sobrenome não basta para condená-lo, assim como uma apresentação mais moderada não basta para absolvê-lo de suas posições.
Na biografia que escreveu sobre o pai em 2017, Flávio nega o golpe de 1964, elogia Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido como torturador, e justifica a atuação dos policiais no massacre do Carandiru. Sua assessoria respondeu que o livro expressa valores de democracia, família e liberdade.
O eleitor precisa confrontar essa explicação com o conteúdo da obra. Que compromisso com a democracia existe na exaltação de agentes da repressão? Combater o crime autoriza transformar um massacre em exemplo de atuação legítima? Quem aceita a violência de Estado contra os outros deveria perguntar quem garantirá seus próprios direitos quando estiver do lado vulnerável.
Na Previdência, o histórico também é concreto. Flávio votou a favor da reforma de 2019.
