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Antigamente, o velho era objeto de respeito e reverência. Veja-se o culto que a eles faziam, e ainda fazem, os índios, sendo parte de sua cultura essa marca. Estudando a História, vamos encontrar essa quase divinização dos velhos no fato de serem eles a memória dos povos. Sem escrita, a única maneira de guardar o passado era a memória, e esta, quanto mais antiga, mais longe ia no conhecimento de tudo, dos fatos cotidianos até todos os ramos dos acontecimentos.
Vemos isso no Fedro, de Platão, em que Sócrates conta que o deus Thot levou ao rei do Egito, Thamus, a escrita, remédio contra a dificuldade de aprender e recordar. O rei Thamus reagiu: “O que será de nossas memórias, de tudo que temos na cabeça se o homem vai ter tudo isso armazenado na escrita? Ela só produzirá nas almas o esquecimento dos que a aprenderem, fazendo com que deixem de exercitar a memória; confiando neste auxílio, a escrita, eles deixarão a caracteres materiais o cuidado de recordar as lembranças de que seu espírito terá perdido o traço.”
Os velhos, então, eram os verdadeiros sábios: eram os guardiões da experiência e testemunhas do passado.
Assim, a velhice foi tema constante desde o começo da literatura e continua sendo objeto de reflexão, associada à morte, por parte de filósofos e pensadores.
No tempo bíblico se vivia muito.
