O espólio do médico e empresário Jorge Mitre (foto em destaque) transformou-se no núcleo de uma ruidosa disputa judicial entre herdeiros. Nos tribunais, o confronto familiar empilha acusações que vão da falsificação de assinaturas à dilapidação de patrimônio, passando pela extorsão.
A disputa opõe, em linhas gerais, os irmãos Júlio, economista, e Juliana, médica, contra a mãe, Maria Elisa, e o irmão mais velho, Fabrício, engenheiro e CEO da Mitre Realty, a construtora e incorporadora listada na Bolsa brasileira (B3).
Os negócios dos Mitre concentram-se no ramo hospitalar, capitaneado pelo Grupo HOSP - Hospital de Olhos de São Paulo. Jorge integrou o conselho de administração da construtora, da qual detinha ações. O patriarca, Maria Elisa e Fabrício também eram sócios na empresa Elisa Agro (ex-Mitre Agropecuária). Os irmãos Júlio e Juliana nunca tiveram participação na empresa do agronegócio, embora possuíssem parte das fazendas da família.
Guerra das assinaturas
Em um dos fronts da guerra familiar, Júlio e Juliana recorreram à Justiça contestando três assinaturas do patriarca presentes em documentos relacionados à Elisa Agro. Os papéis, entre outras medidas, serviram de base para a emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) de R$ 293 milhões, em maio de 2022.
