Dentro da engrenagem burocrática do Primeiro Comando da Capital (PCC), a existência de um indivíduo nas ruas do Distrito Federal era reduzida às páginas de dois cadernos invisíveis ao cidadão comum, mas com peso de sentença perpétua no submundo do crime: o “livro branco e o livro preto”.
Mais do que meros registros administrativos, os manuscritos representam a linha divisória entre o pertencimento e a liquidação. No livro branco, registra-se a vida, o nascimento formal do indivíduo dentro da estrutura criminosa, validado pelo ritual do batismo.
No livro preto, decreta-se a execução, a catalogação fria de rivais marcados para a morte, tratados internamente pelo termo pejorativo de “lixo”. Em sua maioria, seriam criminosos ligados à facção rival Comando Vermelho (CV).
A dinâmica dessa contabilidade clandestina veio à tona nas primeiras horas dessa quinta-feira (8/10), com a deflagração da Operação Jubilados, conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) em conjunto com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (Ficco/DF).
Burocracia da violência
O organograma revelado pelas investigações mostra que o PCC operava na capital federal com rigor corporativo. A função de gerenciar esse arquivo cabia ao chamado “Geral do Livro”, alvo cujo mandado de prisão foi cumprido durante a ofensiva policial.
Para integrar o Livro Branco, o candidato ao crime não podia simplesmente se voluntariar.
