Tente imaginar a cena: você está sozinho à noite, sob a luz fraca de uma vela de cera, tentando concentrar-se na leitura. De repente, o silêncio da casa é quebrado por um barulho metálico e estridente que vem do corredor. O som de correntes arrastadas pelo chão fica cada vez mais alto, até que uma figura pálida e macabra surge na porta do seu quarto.
A cena parece ter saído de um filme de terror contemporâneo, mas esse relato foi escrito há quase 2 mil anos. Em uma carta enviada por volta do ano 100 d.C., o respeitado advogado e político romano Plínio, o Jovem, pedia a ajuda de um amigo influente para responder a uma dúvida perturbadora: afinal, fantasmas existem ou são apenas fruto da nossa imaginação?
Para embasar seu dilema, Plínio relatou o caso de uma mansão abandonada em Atenas. Um filósofo corajoso decidiu alugar a residência a preço de banana e acabou cara a cara com o espectro acorrentado. Em vez de fugir em pânico, o pensador acompanhou o vulto até o quintal, onde a aparição simplesmente afundou na terra. No dia seguinte, ao escavar o local indicado, as autoridades encontraram uma ossada humana presa a correntes de ferro.
Na cultura romana, relatos como esse não serviam apenas para dar sustos ao redor da fogueira. A literatura da época mostra que o grande terror dos antigos não era a morte em si, mas a falta de um sepultamento adequado.
