Quem passou nesta segunda (7/10) pelos corredores do Supremo Tribunal Federal saiu de lá com o mesmo assunto na cabeça. Assessores e jornalistas espalhavam o tema do dia, e ele tinha cheiro de acordo.
Com a adesão de Michel Temer e dos partidos de centro, cujos líderes nunca gostaram da ideia de derrubar ministros, falava-se numa saída honrosa para Alexandre de Moraes assim que terminasse o segundo turno.
Vinte e quatro horas depois veio a resposta. Incomodado com o burburinho, Moraes determinou a expedição do mandado de prisão contra Eduardo Bolsonaro, cuja condenação transitou em julgado na semana passada.
No papel, era um passo burocrático que cedo ou tarde teria de ser dado. Na prática, muda muito pouco. Eduardo vive nos Estados Unidos, fora do alcance da polícia brasileira.
Na avaliação de criminalistas, a medida não tem efeito prático porque o ex-deputado está foragido em outro país. E, se Flávio vencer a eleição, o irmão tende a ser um dos primeiros contemplados por uma eventual anistia.
Quem conhece a linguagem da corte, porém, sabe ler o gesto. Moraes não mirou a eleição. Mirou o boato. Ao assinar o mandado naquele momento, deixou claro a quem quisesse ouvir que não está de saída nem negociando coisa alguma.
