Após cinco anos, o tenente do Exército e ex-coordenador regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), no Vale do Javari, Henry Charlles Lima da Silva foi condenado, em primeiro grau, pela Justiça Federal a pagar R$ 100 mil por dano moral coletivo. Cabe recurso da decisão.
Em junho de 2021, áudios gravados durante a entrega de alimentos na pandemia de Covid-19 revelaram que Henry disse que iria “meter fogo nos isolados”, caso os órgãos de proteção não contivessem aproximações no território.
“Eu vou entrar em contato com o pessoal da Frente [de Proteção Etnoambiental] e pressionar: ‘Vocês têm de cuidar dos índios isolados, porque senão eu vou, junto com os marubos, meter fogo nos isolados’”, afirmou em uma reunião na aldeia Paulinho.
A ação contra o militar foi ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2023, sob a alegação que a atitude contraria o próprio dever do cargo e a política pública de não contato com povos isolados. “Em vez de ajudar a resolver o conflito de forma pacífica, o ex-coordenador incentivou a reação armada e a violência”, defendeu.
